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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

i'm back

saí do meu trabalho. entramos em um acordo, mas eu ainda cogito a possibilidade de processo. porque não dá simplesmente para deixar tudo o que aconteceu escondidinho atrás da minha estante de memórias. eu queria ter mais sangue de barata, esquecer tudo, mas todos os dias cenas do meu cotidiano naquela livraria invadem a minha cabeça. ao mesmo tempo, tenho tanta coisa para resolver/acertar antes da viagem, que não sei se vou ter tempo. a ver.

amanhã devo ir à defensoria pública da união e pegar orientações sobre os dois meses que fiquei sem receber qualquer dinheiro. também preciso pagar a primeira parte do empréstimo que fiz com a fernanda e ver as passagens para BH. andy e eu deixamos o rio no dia 28 e ficamos em terras mineiras por dois dias e meio. queremos visitar inhotim e ouro preto, além de cair na gandaia com a maria cristina, que deve voltar ao brasil na próxima semana. depois, voltamos para o rio, passamos o reveillon aqui e, na sequência, seguimos para são paulo (itu e embu das artes estão no roteiro). só temos dez dias juntos, espero que faça um tempo lindo do cão.

também preciso colocar os livros da lu no correio. e ir até copacabana, naquele sebo lá, tentar trocar algumas coisas. e preciso comprar uma mala e levar as roupas no exército da salvação. aos poucos, a casa que já não tem quase nada, vai ficando ainda mais vazia. durou pouco mais de oito meses meu lar doce lar. morei aqui por um longo período sem praticamente nada: sem geladeira, cama, mesa, nada. só um fogão, meu computador, um colchonete e alguns livros. as coisas começaram a mudar em fevereiro, quando decidi, por fim, mobiliar a casa. eu estava realmente mal das pernas e sabia que precisava de um lugar no mínimo confortável para passar a maior parte do tempo. 

c. me escreveu. ela não vem mais passar uns dias no rio, como estava planejando. eu vou para são paulo vê-la. ainda não sei como será esse reencontro, mas acredito que será melhor que o do ano passado. estamos mais fortes, mais centradas, com objetivos. pensei em ir de avião, mas vou de ônibus mesmo. chego na cidade na quinta-feira. m. também vai para a selva de pedras e devemos nos encontrar por lá. tanto a ser compartilhado. hoje conversamos um pouco e é inacreditável como nossas histórias se assemelham nos mais diversos aspectos. carrego comigo a maluca teoria de que somos pó da mesma estrela. 

luísa me escreveu para dizer que recebeu o livro. comecei uma corrente literária e pretendo fazer isso com tudo o que eu ler e gostar. além do realezZza, como forma de esvaziar a estante, quero espalhar meus livros entre gente querida por mim. se eles voltarem para as minhas mãos será ótimo; caso contrário, ótimo também, pois sei que ele estará em outras boas mãos. vamos ver. tenho até janeiro para fazer isso.

leonardo e flávia vieram semana passada pra cá. bendito fruto meu. encontrar os dois aquietou um pouco a minha tão pertubada alma. foi indescritível estar com eles, na lapa, naquele domingo. meu coração, de vez em quando, precisa lembrar que ainda existem bons e fiéis amigos. não posso esquecer. não posso esquecer jamais.

24 dias.
52 dias.

minha vida, essa eterna contagem regressiva.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

medo

acordei com medo hoje. pela primeira vez, em sete meses, acordei com medo de deixar a minha vida aqui. minha casa, meus amigos, minha mãe, minha família. os meus lugares, os meus bares, o lugar onde gosto de ir para encontrar a calma, a ponte rio-niterói, a estrada rio-são paulo, o sorriso do povo daqui, as minha comidas. sei lá, hoje acordei com medo. faltam alguns meses só. faltam 102 dias para o andy chegar. queria me sentir mais preparada, mais firme, mais segura, mais pronta.

então lembrei que nunca estamos prontos. lembrei que quando arrumei as malas para vir para cá, fazia só duas semanas que eu tinha deixado a clínica psiquiátrica do jabaquara. eu não tinha um dinheiro separado. eu não tinha casa. eu não tinha absolutamente nada. se eu tivesse ficado em são paulo, me preparando, me organizando, certamente, eu jamais teria vindo. teria ficado lá naquela casa de fundos, comendo até as minhas artérias explodirem, me iludindo com uma vida que jamais chegaria. eu não teria aguentado.

o rio de janeiro não me deu apenas uma sobrevida. o rio me fez perceber que eu posso carregar a vida com as minhas próprias mãos, que eu posso conseguir o que eu quiser. se não der certo com o andy, arrumo as malas e volto. eu não tenho problema com a volta. eu tenho problema em ficar, em criar raízes, em me tornar árvore. nasci com alma cigana. nasci para ser pirata, para lavar roupa no balde, para não ter o que comer em um dia e no dia seguinte gastar R50 em um café da manhã. a vida que eu escolhi para mim foi essa. a mim não me interessa uma carreira, um doutorado, reconhecimento, nada disso. embora não pareça, foi para a vida que eu fui feita e eu preciso reaprender a respirar constantemente para não me perder entre um pulsar e outro do coração. 

acordei com medo hoje.
lavei os olhos.
fui para a rua.
tomei sol.
e voltei.

reaprender a respirar se faz necessário, sempre.
não há o que temer quando se tem um coração que transborda coragem.
não há o que temer.

domingo, 7 de setembro de 2014

oito de setembro

devo enlouquecer até amanhã. impossível pregar os olhos com esse balde de ansiedade no lugar do coração. devo enlouquecer até a próxima quinta-feira. a entrevista no consulado americano é na próxima quinta-feira. e eu jurando que era na sexta. foi o andy quem me lembrou: "mas você não disse que era no onze de setembro?". pois é, disse. e esqueci. porque ando com a cabeça nas nuvens.

vai dar tudo certo.
vai dar tudo certo.
tem que dar tudo certo.

o vizinho do andar de cima deu para ficar caminhando pela casa depois da meia-noite. escuto todos os seus passos. duas noites atrás, ele começou a arrastar os móveis às três da madrugada. tentei fingir que não era comigo, cheguei até a cochilar, mas acordei com o barulho da queda de alguma coisa. cutuquei o teto com o cabo da vassoura. ele parou. mas continua com os passos depois da meia-noite. não há um só morador deste prédio que tenha os boletos das faculdades mentais em dia. não tem. hoje, por exemplo, voltando do supermercado, uma moradora falou de mim para outro morador, na portaria:

- olha aí, outra bonita.

- oi?, perguntei.

- outra moradora bonita. agora só tem morador bonito e jovem no prédio, ALELUIA.

agradeci e entrei no elevador dando risada. o dia começou bem mal, com chá de boldo e mau humor por causa da alergia. não consigo tirar o cheiro de xixi do sofá. sebastião estava com a macaca hoje. achei melhor não contraria-lo e deixei o bichano destruir a casa inteira. foda-se a casa, que seja feita a revolução felina.

vai dar tudo certo.
vai dar tudo certo.
tem que dar tudo certo.

vai sim,
ô se vai.

dear chan, logo mais eu tô aí.
dear andy, logo menos você está aqui.
dear chan, dear andy, amo vocês.

vai dar certo sim.
vai ter lilian na américa sim.
ô se vai.

é setembro!

"Although you are normally content to remain in your comfort zone, you're eagerly anticipating embarking on a wonderful new adventure now. The Pisces Full Moon floods your 11th House of Social Networking, luring you away from your tunnel vision so you can catch a glimpse of the big world outside. Take a chance and reach farther than you have in the past. There's no room for complacency; the future is waiting for you if you are willing to step into it."

amanhã e sexta-feira.
depois, começa a contagem regressiva.

não tenho borboletas no estômago,
tenho a primavera toda.

na vitrola: o som de domingo,

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

alá

cinta-caralha.

mas as entrevistas da semana que vem não foram alteradas. ou seja,